segunda-feira, 15 de junho de 2009

Trecho I

“Ela me perguntou o que eu achava do vestido. Respondi que era bonito, mas não entendo dessas coisas. Geralmente eu teria apenas encolhido os ombros... Só que o elogio saiu da minha boca antes que eu pudesse pensar. Deve ser porque ela me perguntou com um sorriso tão alegre... Gosto muito disso, do fato dela estar sempre sorrindo. Nunca a vi triste, nunca a vi chorar. Pergunto-me se esconde mágoas... Sei que sim. Mas nunca conheci alguém assim, um labirinto entre risos e olhares. Olhares, pois de vez em quando sinto algo diferente no modo com que olha o mundo à sua volta. Como se fosse de uma maneira mais profunda, como se desse um valor especial a tudo e todos. Iëva já comentou isso comigo, e é verdade.
Pensando melhor agora, deve ser por isso que os dois se dão bem: de uma maneira ou de outra, ambos são estranhos. Iëva por ter um vasto conhecimento sobre quase tudo o que existe, não sei como aprendeu tanto em apenas dezesseis anos de vida.
E ela, por ser tão... A palavra me foge agora, imagino que "simplória" não se encaixe muito bem... Eu diria que ela é simplória demais em sua complexidade. Eu não entendo, não entendo o que ela faz para me entender tão bem, para agir da forma certa em todas as situações, mesmo sem querer... E sempre com tanta facilidade.
Gostaria de entendê-la melhor... De me aproximar mais... De saber como fazê-lo...
De qualquer forma, às vezes me pego só a observando. Gosto de fazer isso, me trás certa paz... Não sei ao certo por qual motivo. Só sei que quero ter essa paz todos os dias, ao meu lado, em qualquer ocasião... Seria capaz de tudo para isso, pois acho que minha dor ao perdê-la, afinal, seria o mesmo que perder esse todo por completo, eternamente.”