terça-feira, 14 de julho de 2009

Trecho V

" (...) Chegando ao topo da ladeira, deparou com uma descida gigantesca e bastante inclinada. E lá embaixo, outra parte da cidade, recortada contra o crepúsculo.
Não conseguiria descrever porque a simples imagem apertou seu peito com uma pancada. Perdeu o ritmo da respiração. O ar estava pesado... poderia até mesmo esmagá-lo...
De repente, uma figura emergiu de uma esquina um pouco à sua frente. Alexandre estacou, imóvel.
Era a garota de cabelos loiros.
- Oi. – ofegou ela, também paralisada. Seu peito subia e descia e tinha o rosto corado. Parecia ter vindo correndo.
- ... Oi. – murmurou Alexandre, também ofegante, apesar de não ter corrido. Antes que chegasse a se perguntar por que a garota estivera correndo, pensou que deveria achar estranho vê-lo ali. Será que ela diria alguma coisa? Perguntaria por que saíra de casa?
Não, ocorreu ao garoto... Perguntaria por que naquele dia tivera vontade de sair.
Ela não sabia de nada. Aquela menina burra... Não o conhecia, nem sabia seu nome... Por que, afinal, o cumprimentara? Por que queria se intrometer em assuntos que não compreendia?
A garota só o observava, quieta e sem expressão em seus olhos castanhos. Alexandre, subitamente vendo-se irritado, não ligou se soaria mal educado ao perguntar:
- O que foi?
A menina deu de ombros.
- Nada. Só estava olhando.
O garoto continuou imóvel, e então suspirou. Bem, não era isso o que esperava. Mas ainda estava um pouco irritado, e deu de ombros também, só para fazer alguma coisa.
Logo, resolveu seguir seu caminho. Aquela conversa já o perturbara o suficiente, apesar de não encontrar um motivo real para alegar este fato.
Porém, ao dar as costas para a menina, se deu conta de que a sensação de sufoco que passara ao chegar ao topo da ladeira havia desaparecido."

escrito em 07/06/07 §


tenho que rever todos os textos, esse em especial...