quarta-feira, 29 de julho de 2009

Sonho


Eu era uma revolucionária. Sentia-me grande coisa com aquela espada, até o momento que subi as escadas e me deparei... comigo mesma. O tiro do soldado inimigo foi certeiro.
Chorei muito naquele dia. Minha escola estava sendo destruída. Um campo enorme de pequenas construções e árvores plantadas ordenadamente tomaram o lugar daquilo que um dia fora um lar para mim. Eu assistia tudo do alto de uma torre, chorando até me acabar, e não me importava com todos que corriam de volta. Sabia que ia me ferrar se ficasse ali chorando... E fiquei, do mesmo jeito.
Eu morri. Foram anos, ou talvez segundos, no meio da luz, me perguntando vagamente por que eu não virei a espada de forma que a arma caísse da mão do soldado. Às vezes alguma voz dizia alguma coisa, mas eu não percebia, até que uma em especial falou... Para falar a verdade, não me lembro mais o que ela disse. Só sei que assim eu pude acordar novamente. Onde era aquele lugar em que acordei?
Não foi tão ruim estar morta. Foi a primeira coisa que pensei. Foi incrivelmente natural e... Sim, eu era quase um nada com um pingo de consciência naquele momento, mas por ser um nada... o que me importava?
Hoje mesmo eu ia dormir, cheguei a me levantar do computador e a derramar um copo de suco de laranja no chão - talvez tudo isso seja uma grande e deslavada invenção. Chegaria a ser real... Enfim. Tudo tem certa relação. Há noites não durmo bem. Tenho pesadelos, sono inquieto, travesseiro duro, e fico com raiva da minha mãe quando estou sonâmbula, pensando que ela roubou todos os travesseiros bons. De fato, os travesseiros da minha mãe são bem macios, eu gostava de dormir no quarto dela quando era uma criança justamente por esse motivo.
Essa noite eu não queria me deitar... Porque, bem, sabia que não ia dormir. Sinto-me velha e cansada. Podre, com as juntas rangendo, dolorosas... Entediada. Mas não quero fazer nada, nem sair, nem ficar, nem trabalhar, nem assistir a um filme, ou ler, estudar, conversar... Não sei o que eu quero. Não estou me sentindo sozinha, não mesmo. Nem acompanhada. Somente vazia. É como se eu tivesse levado um tiro de um soldado inimigo. Quem sabe esse soldado tenha uma longa cicatriz em sua boca, como um grande sorriso.
O que importa é que meus ouvidos dão pontadas agudas de dor, enquanto imploram por mais. Fazem eu me esquecer de quem eu sou e do que sinto...
Mas bastou uma nota...

Essa noite eu sei que vou dormir bem."


escrito em 20/07/08 §
(porcamente escrito)

2 comentários:

  1. eu gosto mto dos seus textos! mto mesmo pq da pra entender bem, vc fala cm clareza e é facil de se colocar no espaco discrito! gosto mesmo!
    parabens dede! te amo

    ps vc posta mais no seu blog do que eu no meu. preciso mudar isso.

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  2. Gostei muito das imagens do teu texto moça!não esta tão porcamente escrito como disse,tem sentimento e bastante!!! gostei mesmo,bem intimista!
    *consegui comentar pelo windows!!!
    =******

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